terça-feira, 21 de julho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
Não passa de canudinho
Quando recebi a notícia da anulação da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, eu vibrei. Confesso que, com um pé atrás, mas vibrei. A partir de então, vi que eu contrariava as expectativas de praticamente todas as pessoas do meu círculo de convívio, em especial, meus colegas do curso de Jornalismo. Pus-me então, a buscar entender (e perceber) alguns problemas (práticos) que isso causaria a muitos profissionais da área e, mais ainda, a sociedade.
Foi aí que atinei sobre as possíveis (óbvias na verdade) arbitrariedades dessa decisão.
A mais debatida por aqueles que estão enfrentando uma vaga no mercado de trabalho, ou estão prestes a concluir a graduação, é a perda daquela para pessoas sem ‘qualificação’ para exercer, de forma ética, com bagagem teórica e técnica (obtida apenas nos cursos superiores) , esta profissão. E tem mais. Corre-se o risco desses postos de trabalho serem preenchidos por pessoas apadrinhadas, os famosos representantes dos QI’s.
Outra questão levantada foi a forma com que se conduziu essa determinação, e suas conseqüências mais evidentes. A falta de debate aberto ao público sobre uma decisão tão controvertida, serviu para evidenciar o real (e típico) jogo de interesses econômicos e políticos, em benefício próprio (dos juízes), e das grandes empresas de comunicação. A imediata conseqüência dessa estratégia de poder é a insegurança quanto ao piso salarial, com possibilidades de redução. O encadeamento prossegue ainda, com a especulação sobre a má exploração do trabalho do jornalista e o provável controle ideológico.
Todos esses motivos são bastante coerentes, e são, além disso, verdadeiros. Porém alguns deles são, no mínimo, questionáveis. A razão do meu entusiasmo inicial se deu a partir do momento que constatei os motivos que sustentam o medo dos jornalistas diplomados, e a consequente possibilidade de se discutir uma remodelação dos discursos dominantes da sociedade. Além de notar que, não é com a presença do diploma, que a dominação política-econômica-ideológica dos veículos de comunicação, reduzirá.
O debate com o público seria, sem sombra de dúvida, a mais acertada das iniciativas realizadas por aqueles (representantes do executivo) que levantaram o questionamento sobre a liberdade de expressão nos meios de comunicação – algo tão almejado por quem reivindica uma comunicação mais justa e democrática. Uma discussão aberta, traria posicionamentos plurais sobre a forma como está sendo direcionada a comunicação “social” no país; a situação de uma categoria de profissionais, e o que, de fato, um diploma representa em uma sociedade moldada pela materialidade.
Contudo, essa decisão denunciou que não haverá nenhuma mudança substancial, pois, a falta de discussão sobre aspectos de base e estruturais da comunicação foi (e é) motivada por interesses. Não se questionou, dessa forma, como a liberdade de expressão pode ser assegurada por uma comunicação monopolizada, mercadológica e autoritária. Porém, trouxe a tona a evidência de que os entusiastas do diploma não se deram conta que o canudo não faz (nunca fez) uma comunicação melhor, mais ética e menos aparente. Não notaram que reclamar o diploma, não os torna mais livres dos mandamentos das corporações e de uma ideologia conservadora baseada em vozes autorizadas, ou seja, antidemocrática. Não percebem que esse clamor é uma “luta” para se encaixar na roda do capitalismo espetacular, e não para transformá-lo
Diante desses reais problemas, os temas sobre mercado de trabalho ou salários suspensos, não representam, nem de longe, questionamentos imprescindíveis. Ao contrário, essas reivindicações atestam a falta de compromisso com a idéia de um jornalismo de luta e social, superior a adequações ao caráter de mercado e ‘prestador de serviço’ que o jornalismo representa atualmente. Revela ainda, que o medo dessa classe em (supostamente) perder seu posto sagrado, é impositivo e cego às possibilidades que um bom jornalismo traria se fosse encarado como algo público e de direito de todos. Um jornalismo capacitado em mediar os assuntos de interesse social, e não, para a venda de “produtos” ideológicos.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Trans-passado

Por quantas vezes se quer (o humano) mudar durante, digamos, um ano? Se eu fosse contabilizar eu diria que, provavelmente, por 365 dias. Mas isso, até parece uma boa estatística - dada a atual aparência do mundo, eu digo, alguém pode achar ótima a idéia de mudança martelando a cabeça dos indivíduos. Mas eu vos revelo o seguinte: essa insistência em (tencionar) mudar, por todos os dias, é a denuncia do fracasso e do medo.
Não há nada mas exato na existência do que a capacidade humana em mudar. Mas ao mesmo tempo, não há nada mais difícil. Em função disso, incuti-se, no entanto, que as razões são todas: a sobrevivência, a competição, as pequenas “mortes” diárias. Tudo se torna motivo de adiamento das mudanças (até as pequenas) necessárias.
As mudanças aos quais me refiro, são aquelas diluídas nas decisões mais cotidianas, com as pessoas mais próximas (mais amadas...), e sim, claro, com o locus, onde o curso da vida prossegue. Mudança. Nem que seja essa de separar o lixo doméstico por tipo de componentes, mesmo sabendo que sozinha, nada irá mudar. Ainda, parar de chamar o(a) companheiro(a) ao celular pretendendo regular seus passos, mesmo se corroendo de curiosidade (leia-se também ciúmes). Ou, até mesmo, homens realizando tarefas designadas socialmente para as mulheres, mesmo acreditando, nos seus pensamentos mais íntimos, na (suposta) necessidade de diferenciação por gêneros.
Por mais que a necessidade de transformação seja na ordem de valores (atualmente, diante das contradições socais, mais do que nunca), estabelecer novos hábitos já é um grande passo. Se o indivíduo acreditar, ao menos, na capacidade de vigiar sua maneira de portar-se de forma contrária ao que foi pré-estabelecido como “natural” no seu cotidiano, quem sabe, nas próximas duas gerações, o que era apenas a mudança de um hábito, se transforme numa mudança de fato.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
“Escurecer acende os vaga-lumes”

[A propósito, é bem possível que esse “como” sequer exista, mas sim, APENAS um senhor com cara de bonzinho, falando sobre o “inútil” (sem dúvida só ele acha isso) capaz de aliciar aquela partizinha do cérebro que estimula o que há de mais recôndito nos sentidos.]
E foram muitas imagens rebentadas de mim ao assistir o documentário “Só dez por cento é mentira”, no 4º Cineport, sobre esse carinha aí. Além de o filme ser uma co-i-sa de tão belo, com uma fotografia e uma montagem magnética e inteligente (onde eu me encaixaria depois dessa descrição, Naíza? xD), ele simplesmente reverencia o poeta que causou em mim uma das maiores frustrações da minha vida, a de não tê-lo conhecido antes.
Enquanto eu falo (tento), nas imagens que se revelaram em mim após meu encontro com o poeta, ele certamente já estaria roubando-as de mim e ocupando-as com palavras. “Imagens são palavras que nos faltaram”, foi exatamente o que ocorreu na minha topada com ele, e nem agora elas comparecem. Certamente porque não é disso que elas precisam - que falem delas, ou as expliquem, mas, simplesmente, que sejam sorvidas pelos poros, que sem sombra de dúvida, carregarão pêlos eriçados.
“Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa, era uma enseada. Acho que o nome empobreceu a imagem.”
sábado, 9 de maio de 2009
De boa-fé

Lá estavam. Pai e filho. Dia de domingo, shopping lotado e lá estavam. Pai e filho.
O primeiro (quero dizer o mais velho, o Pai) vestia uma camisa pólo cor sim cor não, e uma calça jeans. No seu colo, com um pouco mais de um ano, o filho com: camisa pólo cor sim cor não, e uma calça jeans. JURO. A imagem que veio a minha cabeça foi da... Como é mesmo o nome? Acho que é brotação de gemas, aquilo que se dá em alguns (ou todos...?) vegetais, esponjas do mar... e ... por aí... E, cara, parecia mesmo, a posição. Veja: Pai em pé – filho no braço, colocado um pouco de ladinho – e iguais, simplesmente, iguais.
Visualizou não foi? Pois é...
Mas o interessante não foi essa minha divagação (aliás, nem um pouco), mas, foi o que meu irmão, que me acompanhava, disse apontando para aqueles graciosos... brotos: “sabe o que é isso? vaidade!”. Neste momento me atinei para algo bastante óbvio (para mim, até segundos antes, não) e curioso: a extensão do termo vaidade. Eu quero dizer, extensão de significações (... muitas). De qualquer forma uma dessas (significações) já diz muito do que de interessante ela (a vaidade) tem. Possivelmente esse pai não só estava achando fofo o seu brotinho parecer seu clone em miniatura, mas, ele desejava (principalmente) que as pessoas (all) os visem da mesma forma, e os admirassem: “─ olha que bonitinho, pai e filhinho iguaiszinhos...”.
O problema é que isso não necessariamente representa um problema. (O.õ) E é aí exatamente onde entra minha pasmação (e o meu tempo “gasto” pensando nisso). Ao intencionar ser visto, em sentido digamos estético (é menor que isso...), ele apura as possibilidades de transpor uma realidade retraída em padrões. Obviamente que o indivíduo ao sair vestido de ... sei lá... qualquer excentricidade dessas aí que existem (ou que ainda não existem) estaria abrindo as portas da claridade do mundo. Não. Assim como esse pai não possuía pretensão alguma além de simplesmente, aparecer. Aliás, alguém dirá (e com razão) que esse pai talvez seja um egocêntrico, capaz de expor o próprio filho para desfrutar do seu deleite de: aparecer.
O que ocorre (ou ocorreu em mim), é que essa cena, descrita em detalhes a cima, me fez notar a importância - crucificada -, do mostrar-se, como uma forma, (porque não?) de transgressão. O fato de atrairmos a atenção de outras pessoas não é novidade alguma, aliás, fazemos isso o tempo todo, em todo lugar. Mas, talvez o que falta, é notar que o assombro provocado em quem nos observa, seja uma forma, tímida provavelmente, de quebrar um pouco a medida da normalidade, do conhecido e do aceito. Não seria estranho (apesar de parecer exagero) supor que aquele pai permaneceria oculto enquanto não se mostrasse na expressão do seu desejo. Ele, possivelmente, manter-se-ia (isso foi o Word) enclausurado em um corpo objetivo demais, domesticado demais.
Sem querer parecer deslocada da realidade, o que eu tento dizer nessa “prolixão” toda é que a apesar de conhecermos a realidade por meio de esquemas de objetivações das coisas, fenômenos e sujeitos, existe a possibilidade de transpor-la por intermédio do mostra-se como forma de arrancar o que realmente é por traz daquilo que, simplesmente, foi feito para ser.
Talvez seja por isso que a vida sem vaidade é quase insuportável. (Tolstoi)
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
domingo, 5 de outubro de 2008
Sub-representação Feminina nas Eleições, ou Eleições Sub-representadas?
fonte: cfemea 2006Consulte a Lei 9.504/97 pelo sítio: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm
1) Esta Lei destina uma cota que estabelece 30% das vagas para candidaturas de mulheres;
2) Ela não possui estratégias punivas para o monitoramento da cota, o que a torna, quase simbólica;
3) "Desde que a Lei foi criada nenhum partido respeitou o sistema de cotas nas eleições que se sucederam" (cfema);
4) Ela vem impregnada por um contexto social de segregação por gênero, em que muitas mulheres são obstaculadas pela desigualdade da divisão social do trabalho. Com o acúmulo de funções, elas dispõem de pouco tempo para a participação na vida política da sua comunidade ou da sua cidade. Para além disso, a "cultura do masculino", principalmente na realidade das eleições, dificulta ainda mais o acesso da mulher no ambiente político.
5) A importância das cotas está presente na abertura da participação da mulher nas decisões políticas como forma de quebrar o manopólio masculino e para a defesa de questões de justiça social que norteiam o universo da mulher.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
(só) Jesus vai à escola
Publicação da revista Época deste mês
Trecho retirado da matéria de capa
"Para a educadora Roseli Fischmann, professora da Universidade de São Paulo (USP), a escola deve ser capaz de ensinar o respeito mútuo sem depender da religião. (destaque meu)“Na cabeça da criança, as noções de ética, direito e respeito não podem estar vinculadas a um Deus. Senão, o que vai acontecer se ela brigar com um colega que tem um Deus diferente do dela? Ou se, um dia, questionar sua religião?” Roseli faz parte de um grupo de educadores e sociólogos que evoca o princípio do estado laico (sem religião) para criticar a entrada na fé das escolas públicas. Para ela, cabe à família decidir se quer ou não transmitir sua religiosidade ao seu filho."
O desrespeito ao Estado laico vai mais longe. A Igreja Católica Apostólica Romana mantém um lobby junto ao Congresso Nacional que tenta tornar obrigatório o ensino religioso no Brasil. Segundo a Lei nº 9.394 de Dezembro de 1996, o ensino religioso no Brasil é facultativo cabendo aos estados manter suas regras de ensino respeitando o culto a diversidade religiosa, sendo vedada qualquer forma de proselitismo.
Trecho da matéria
"Embora os gestores estaduais se preocupem em contemplar a diversidade religiosa, pesquisadores afirmam que poucos professores ministram o curso totalmente equilibrado. Essa é uma das conclusões da segunda pesquisa que a ÉPOCA teve acesso, coordenada pelo antropólogo Emerson Giumbelli, do Instituto de Estudo da religião (Iser). Segundo Giumbelli a maioria dos professores é católica, e eles tendem a sua religião. “Mesmo sem se dar conta, acabam misturando o ensino da história com sua crença”, afirma."
Para que o professor possa ensinar religião nas escolas, ele precisa se capacitar por meio de cursos que, normalmente, são ofertados pelas Secretarias de Educação. Mas o que ocorre é: grande parte das escolas que ensinam religião no Brasil são Confessionais. Estas, só oferecem cursos ministrados por representantes da Igreja Católica. Além disso, as escolas Confessionais têm como objetivo ensinar a doutrina de religiões majoritárias, enquanto as de pequena expressão são marginalizadas.
Trecho da matéria
“Temos alunos deixando a escola porque sofreram discriminação religiosa e devido a sua opção sexual”, diz Penildon Silva Filho, diretor responsável pela formação de professores na Secretaria de Educação da Bahia. “Como gestor e membro do governo, procuro sensibilizar os professores para que trabalhem a diversidade nessa aula. Mas, como cidadão e educador acho que a tolerância religiosa deveria ser um tema transversal assim como cidadania, a ética, a sexualidade e o meio ambiente. Não entendo porque haver uma aula só para o ensino religioso.”
Trecho da matéria
“Para os detentores do ensino laico, o debate de como incluir Deus nas escolas é um retrocesso ao século XIX. Na Idade Média, Estado e Igreja eram Instituições interligadas. A separação teve início com o teólogo alemão Martinho Lutero, que, em 1517, fundou a Igreja Protestante. Para ele, o papel do governo civil seria manter a paz na sociedade, não devendo interferir nas leis espirituais. Quase 200 anos depois, a Declaração da Independência dos Estados Unidos (1776) estabelece as bases para a liberdade religiosa e os direitos cíveis. Na mesma época, a Revolução Francesa tirou o poder estatal das autoridades religiosas. Os movimentos nos Estados Unidos e na França serviram de modelo para o Ocidente, incluindo o Brasil.”
É sob o encaixe desse modelo que o Estado brasileiro deve permanecer. Tornar qualquer religião oficial é um freio na liberdade de culto e de expressão e se constitui numa ameaça a democracia. Inserir o ensino de religião nas escolas pode se tornar numa armadilha para a tolerância e a diversidade.
Matéria da revista ÉPOCA na íntegra: http://www.ccr.org.br/
Esse gráfico mostra a organização do ensino de religião no Brasil
No sítio http://www.iser.org.br/exibe_noticias.php?mat_id=129 do Instituto de Ensino Religioso no Brasil podemos encontrar a cobertura detalhada nos Estados.
domingo, 17 de agosto de 2008
Rua em exposição
Exatamente aquilo que está por trás da evidência, é arte. É também a desmascaração da aparência que o mundo nos apresenta e ainda nossa capacitação para a compreensão da realidade. Mas na verdade, ela não necessariamente tem esses definidos conceitos, nem essa bonita ordem. Não.
Tudo bem, comecemos de novo.
Pense naquilo que te faz sentir a pele ao avesso, e - como que com um toque - te revirasse o estômago. Como se o eriçamento dos pêlos já não sustentasse mais sozinho, à tamanha sensibilidade. Já não expressasse mais nenhum encantamento. É um up na intuição e um blow up na imaginação. Isso é arte. É o começo do exercício-sensível.
Quando se passa a enxergar possibilidades ao invés de realidades, pensa-se “artisticamente”, imagina-se. Cria-se um universo flexível, estratificado e sinestésico. Intui-se a presença do ausente, revela-se a fragilidade do existente. Sente-se. Deslumbra-se.
Exercitar essa sensibilidade em arte é manter contato com ela. É perceber suas sutilezas em uma convivência aberta e eclética. É se exaurir em cada obra em sua condição de exclusividade e esclarecer a emoção com sentimento e não com a razão. Para tanto, o ingresso a essa prática se dá apenas com uma arte democratizada, longe dos templos-museu, longe da onipresença.
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A produção artística ganha seu real sentido se tiver público. Assim, nada mais óbvio que deixá-la (ou fazê-la) em público. Não há estratégia mais democrática que aproximar as pessoas da obra de arte e fazê-la interagir. Causar-lhes sensações, deslumbramentos ou espasmos de compreensões de mundo, é a intenção primeira da arte. Fazer mostrar o mundo como passível de ser compreendido e até mesmo transformado.
Não seria um verdadeiro confronto com a realidade encontrar nas avenidas mais movimentadas obras ousadas que tocassem em nossa imaginação, que nos surpreendessem? Estranhas, bizarras, curiosas, mas ao mesmo tempo criativas e híbridas de significações. Isso é arte de rua. Com um olhar mais apurado podemos notar o quanto artes como essas, podem falar o mundo, subverter o “aceitável”, instigar reações e, simplesmente, deixar o espaço mais sociável.
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(Suficientemente quente)
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Alessandra Cestac (http://www.alessandracestac.com.br/)
(sutileza)
(Quixote)O meio onde a obra de arte se realiza não é um acaso ou uma escolha indiferente do artista. É a expressão de um fazer artístico, de uma arte intencional. A intervenção urbana é a forma de revelar a arte como possível de ser observada e ser exercitada.
Entendida como a comunicação mais transparente e revolucionária, a arte instaura a possibilidade de “erguimento” de uma nova condição de vida. Ela transgride o comum na busca por caminhos pré-reais, por caminhos “bifurcadores”.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
How soon is now tatu
Essa música me faz ficar um tanto memorativa. Talvez porque TA.TU faz parte de uma fase muito boa da minha vida. Aliás, talvez não, ela realmente faz. Bom... para quem ainda curte, ta aí o clipe que eu mais gosto delas. xD
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Reforço
Pra quem ainda não viu, ta aí!!
(eu tinha que postar!!).
01/05/2008 - 15h12
Maiorias das brasileiras que abortam são católicas, diz estudo
Colaboração para a Folha Online da Agência Brasil
Uma pesquisa realizada pela UnB (Universidade de Brasília) e pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) revelou que a maioria das brasileiras que aborta é católica --o percentual varia de 51% a 82%, conforme a faixa etária--; tem entre 20 e 29 anos; e já são mães.
"Para a massa, que a vê [a Igreja Católica] como um meio de conforto, e não como uma cartilha dogmática, ela não é suficiente para as mulheres mudarem sua decisão", opina a pesquisadora da UnB Débora Diniz.
Para ela, a conclusão não surpreende, já que grande parte dos brasileiros se diz católica. Em segundo lugar ficaram espíritas (4,5% a 19,2%) e, em terceiro, evangélicas (2,6% e 12,2%).
Para os autores do levantamento, o alto número de abortos feitos por mulheres que já têm filhos (entre 70,8% e 90,5%) reforça a tese de que o aborto seria medida de planejamento reprodutivo, empregado em último caso, quando os outros métodos contraceptivos falharam. "Ao contrário do que se imagina, essa não é uma solução para a gravidez indesejada de uma mulher que desconheça o sentido da maternidade", afirma a pesquisadora.
Outro dado que corrobora essa tese é o uso de métodos contraceptivos pelas mulheres que interromperam a gravidez. Segundo a pesquisa, mais de 50% das que abortaram nas regiões Sul e Sudeste usavam algum método anticoncepcional, principalmente pílulas. Já na região Nordeste, a porcentagem oscila entre 34% e 38,9%.
Cytotec
O medicamento de venda controlada misoprostol, o Cytotec, é o abortivo mais comum, de acordo com a pesquisa. Indicada para problemas gástricos, a substância foi usada por até 84% das mulheres que fizeram abortos de 1997 a 2007. Na década de 80, medicamentos eram usados como métodos abortivos apenas entre 10% e 15% dos casos.
"Nos anos 80, tínhamos mulheres perdendo o útero e com processos infecciosos graves. Com a entrada do misoprostol, o período de internação e as seqüelas associadas ao aborto diminuem consideravelmente no cenário brasileiro", disse a pesquisadora.
Diniz destacou, no entanto, que pílulas compradas por meio de traficantes têm autenticidade questionável e que as subdoses --decorrência do uso sem orientação médica-- implicam em atendimento médico para completar o abortamento e reações como hemorragias e dores.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Pela vida que acontece
Exercer a liberdade não é fazer o que se quer, quando se quer, como se quer de forma impensada. É antes disso (e acima disso), deliberar atitudes por meio de decisões conscientes. É dessa forma que ela se torna nossa condição para existir, pois, nos impulsiona a agir. Quando ela nos é expurgada, paralisamos no determinismo, ou seja, “agimos” por intermédio do que nos ditam os outros. É assim que funciona um Estado antidemocrático. É nesse Estado que deixamos de existir como seres individuais, dotados de capacidade de tomar decisões sobre nossa própria vida. Dessa forma, dizer o que fazer, quando fazer, e como fazer (ou o NÃO fazer), sem considerar os contextos e os sujeitos sociais, é, no mínimo, agir de má fé. E é essa a atitude tomada pelo Estado que nos representa. Há 17 anos surgiu o Projeto de Lei 1135 pela descriminalização do aborto. Em 1991, o Brasil passava por um período de retomada da democracia, e o tema parecia complexo demais para ser discutido dentro de um Congresso que se reestruturava, e por uma sociedade ainda despreparada. Mas em 2008, o tema é revivido após anos de espera e expectativa de quem lutou a vida inteira por justiça, ou seja, pela legalização do aborto. E de luto, milhões de mulheres receberam a notícia de sua revogação.
O arsenal legal no Brasil é embasado na lógica conservadora e patriarcal, em que às mulheres é designada a função social de reprodução, cuidado com os filhos e vivência no ambiente doméstico. Fortalecendo esse quadro de moral ultrapassada, a Igreja tenta se apossar do corpo feminino regulando sua reprodução por meio da condenação do uso de contraceptivos e da prática do aborto. E quando esses dois “poderes” se aliam contra a liberdade feminina, o resultado é o desrespeito pelo princípio de laicicidade do Estado, que não pode legislar segundo princípios religiosos.
A desigualdade entre homens e mulheres, baseada na divisão do papel social, torna a criminalização em razão do gênero. Muitas mulheres não conseguem negociar o sexo, pois, o parceiro, se acha no direito de decidir quando usar a camisinha (como qualquer outro contraceptivo, ele pode falhar), ou tratam o sexo como uma obrigação do casamento, forçando a mulher de suas “obrigações de esposa”. Em decorrência, a gravidez indesejada. Mas a criminalização do aborto, não os atinge.
A divisão de classe também representa mais um componente do quadro de agressões à liberdade da mulher. Os efeitos da criminalização atingem com mais intensidade a mulher em desvantagem social, ou seja, pobre e negra, por não ter como pagar um serviço de saúde de qualidade. O aborto clandestino ocorre aos milhares todos os anos, aumentando, como conseqüência, o risco de vida e de saúde para as mulheres, sendo o risco ainda maior, quando a situação é de pobreza. Além disso, quando uma mulher chega ao serviço público de saúde após um abortamento, é alvo de desrespeito, sofrendo humilhações e nenhuma orientação para os riscos de uma futura gravidez.
O aborto corresponde um dos mais graves problemas de saúde pública nos países onde é criminalizada. O aborto inseguro provoca danos físicos como a infertilidade, muitas vezes acompanhada de um útero perfurado - isso ocorre, quando o aborto é feito sem nenhuma ajuda ou em clínicas sem recursos. Problemas psicológicos também são muito comuns. Por serem discriminadas nos serviços de saúde e pela sociedade, o isolamento social e a culpa moral por ter praticado um ato clandestino, tornam-se os mais graves problemas para a vida social da mulher. A clandestinidade do aborto, além de tudo, é uma das maiores causas de mortes de mulheres no Brasil.
Assim como a liberdade não pode ser confundida como uma expressão da vontade desmedida, o aborto não pode ser confundido com um ato irresponsável, sem limites. Quem defende a legalização do aborto, levanta a bandeira por um aborto responsável, impondo restrições para que esse ato não agrida a saúde da mulher. Para que o aborto seja seguro, além de ser legalizado, ele deve ser feito com até 12 semanas de gestação, ou até vinte, em caso de má formação fetal ou riso de vida para a mulher.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Ovários Pagãos
Campanha contra o fundamentalismo religioso promovido pela Articulação Feminista Marcosur (http://www.mujeresdelsur.org.uy/index_e.htm ).domingo, 27 de julho de 2008
Trans
É um tormento inexprimível. É uma busca incessante por um ser além de um é. Mas talvez seja assim mesmo que deva ser. Aliás, é (ou não é?).
Somos a eterna abertura, uma eterna incompletude do ser. Inconclusivos. O fato de não sermos algo, alguém, isso ou aquilo, te dar várias possibilidades de ser, e aquele tormento (quase) necessário torna-se gozo.
Vejamos:
Um ser-ter: “− Entre, esta é minha sala. Olha só! Não é um máximo essa minha cozinha. Ah, vem conhecer vem... querido!”
Um ser-fim: “− não sei, eu sou meio estranha mesmo. Sabe o que minha mãe disse outro dia. (− tu vieste de onde em menina?). fazer o quê? Eu sou assim mesmo.
Um ser - aparente: os já citados.
Um ser-real: “um poema apenas começado.” Ou talvez aquele cara sentado lá em cima. Viu?
O fato é que nem sempre estamos interessados no risco. Por conseguinte, na vida. Esse essencialmente - possibilidade - de - ser não nos atrai. O que se quer é o aparente, o confortável. Fazemos mais pelo parecer do que pelo ser. E o ser real torna-se clausura, só em pensamento (ou não).
Eu não quero ter a responsabilidade de espelhos quebrados, ou sonhos malogrados. Não. ... Ta vai, talvez sim. Mas o que está em questão é que o bom de ser aquele homenzinho lá em cima, sentado, em público, ao ar livre é exatamente a sua liberdade de ser. Por que é essa a condição que lhe da oportunidade de simplesmente mudar. Hoje eu posso ser aquilo lá, amanhã também, e depois? Depois eu posso ser um boneco de lata, ou um lixeiro cor de rosa... ou... Sei lá.
Acabou. Entendeu né? Então tá. Vou ouvir música agora.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Fugaz

− Onde está?... Como?!... Perdeu-se?!
− Ficou pra trás.
− Não, você está enganada, eu o imaginava.
− Sim eu sei.
− Então? Como pode ter se tornado passado?
− Porque tudo passa, não mais existe no próximo segundo...
Fechei a porta, cadeado, o maior que encontrei. No ônibus, relógio no pulso, Atraso. Olho pro lado, passo, passou por mim. Minha atração de adolescência. Quantos sonhos...
Na redação o frio diário. Computador, escrevo, reviso, escrevo.
Café. Sempre tomo! Aqui é realmente muito frio.
Era uma matéria sobre “relações familiares”. A sugestão foi minha. Aceita. Fruto de uma pesquisa universitária tornou-se quase um projeto de vida. Cada estatística, cada contato, cada gravação. Tudo. E cá estou, escrevendo, revisando, escrevendo.
Acabou, leio pra ela:
− nossa! Ta ma-ra-vi-lho-so!
Sorri.
Tento ler. Tem um cara dormindo ao meu lado. Muita gente em pé, uma longa fila de carros.
Missão cumprida. Ela gostou, ela escreve bem, sabe o que é um bom texto. É.
− será que foi um acidente?
Algo me desassossega. Deixa-me ver: escrevi aquilo... coloquei a fala dele... Não, está tudo certo.
Aí que demora. Tem ar demais aqui. Mas como? Com tanta gente? Mas tem!
Ele entra gélido em mim. Parece que ta sobrando espaço, e ele esta circulando livremente dentro de mim, me fazendo ter calafrios e... dor de barriga. É. Eu estou nervosa e não sei com o quê...
− Aí que demora é essa?
Mas que vazio é esse aqui dentro? Não entendo, agora mesmo estava radiante com MINHA matéria.
Mas ai está! Não é por conta da matéria, sou EU. Isso. EU!
Acabei, fiz um ótimo trabalho, mas agora cá estou, tendo que aturar a mim mesma. Sozinha. Sem mas nada a fazer. Acabou!
− finalmente esse ônibus sai do lugar!
Foi um longo tempo perseguindo esta meta. Um bom trabalho, uma boa recompensa. Todos comentando o texto. “o glamour”
A insaciabilidade desse objetivo se desfaz, desmancha. Todo aquele tempo como um meio de alcançar. Nada era o bastante, pois faltava alcançar, sempre.
Cheguei. É apenas desilusão.
Talvez seja melhor passar antes na casa dela. Acho que já está em casa. Tudo me lembra o que ela havia me dito antes. É. É melhor ir.
Meu tempo como um meio. Minha vida como um meio. E o fim desvanecido com o objetivo satisfeito. Que inútil.
Tudo isso. Tanto tempo perdido. Tantos sentimentos e vontades e repentes... adiados por um fim OCO!
Ta. Tudo bem. Que drama!
Eu ainda tenho muitas idéias, vontades, paixões...
Mas pra quê? Pra tudo se tornar pó, e se reconstituir, e ser pó de novo. É realmente inútil.
– MOTORISTA! vai descer!


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